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Técnica

Por que a carne do refogado fica dura mesmo cozinhando muito tempo

Existe um vale entre os 15 e os 60 minutos de cozimento em que toda carne fica pior. Sair dele exige escolher um dos dois lados.

Sérgio Amado

Chef de cozinha

7 min de leitura

Você refoga a carne por meia hora, ela endurece. Cozinha mais vinte minutos esperando amaciar, e ela endurece mais. A conclusão intuitiva é que faltou tempo. Faltou muito mais tempo do que você imagina, ou faltou muito menos.

Duas coisas acontecem ao mesmo tempo

As fibras musculares contraem e expulsam água a partir dos 60 °C. Isso deixa a carne mais firme e mais seca, e é irreversível. Já o colágeno, que envolve essas fibras, só começa a virar gelatina depois de muito tempo acima dos 70 °C — e é isso que amacia.

Meia hora de panela é tempo demais para carne macia e tempo de menos para carne dura.
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Os dois caminhos que funcionam

  • Rápido e quente: cortes com pouco colágeno (alcatra, contrafilé, filé) em fatias finas, panela bem quente, 2 a 4 minutos. Tire antes de a água sair.
  • Longo e úmido: cortes com muito colágeno (músculo, acém, paleta) em pedaços grandes, líquido cobrindo pela metade, fogo baixo, 2 a 3 horas. Ou 40 minutos de pressão depois de pegar pressão.

O erro que nenhum tempo corrige

Usar acém para um refogado rápido não dá certo com nenhum ajuste de fogo, e usar filé no cozido de três horas desperdiça a carne e ainda a deixa esfarelada. O corte define o método, não o contrário.

Se a carne já endureceu e o corte era de cozimento longo, o conserto existe: tampe, abaixe o fogo, acrescente líquido e siga por mais uma hora. Se o corte era magro, não há volta — vale fatiar bem fino contra a fibra e servir com molho.

  • #carne
  • #cozimento
  • #erros comuns
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